Energia, conectividade e infraestrutura sustentáveis para a inteligência artificial na Amazônia
A infraestrutura digital brasileira
A infraestrutura digital brasileira se desenvolveu a partir de grandes polos de conectividade, formados especialmente em capitais – que foram fundamentais para o desenvolvimento da base que sustentou o Brasil nas últimas décadas. A próxima fase da conectividade brasileira, porém, exige uma nova abordagem.
O crescimento exponencial dos workloads de IA, a necessidade crescente de resiliência operacional e a expansão da economia digital para novas regiões tornam cada vez mais evidente a importância da diversificação geográfica. Em um ambiente no qual praticamente todos os setores dependem de infraestrutura de TI, é necessário ampliar rotas, aproximar infraestrutura dos usuários e construir sistemas capazes de operar com maior redundância e previsibilidade para além dos eixos tradicionais.
É nesse contexto que, no Brasil, Belém passa a ocupar uma posição estratégica.
Belém: muito além da COP30
Nos últimos anos, a capital paraense ganhou visibilidade internacional ao ser escolhida como sede da COP30, conferência que colocou a Amazônia no centro das discussões globais sobre clima, desenvolvimento e transição energética.
A escolha possui um forte simbolismo. Em 2018, durante a COP24, realizada na Polônia, os países aprovaram o Paris Rulebook, conjunto de diretrizes que tornou operacional o Acordo de Paris e estabeleceu as bases para sua implementação prática. Em 2025, a COP da Amazônia reuniu as principais lideranças globais no coração da biodiversidade brasileira para se debruçar sobre os resultados da implementação do plano traçado sete anos antes.
Este movimento reforçou uma transformação estrutural que já está em curso: a cidade reúne características únicas para se tornar um novo polo de inovação e discussões que podem colocar o Brasil na rota do futuro.
A expansão das infovias do programa Norte Conectado vem ampliando significativamente a infraestrutura de conectividade da Amazônia por meio de redes subfluviais de fibra óptica, criando novas oportunidades para integração regional, inclusão digital e acesso a serviços digitais de alta capacidade.
Paralelamente, a expansão de cabos submarinos, como o que conecta diretamente a América Latina à Europa, fortalece a conectividade internacional da região, amplia a diversidade de rotas e reforça a resiliência da infraestrutura digital brasileira.
Assim como Fortaleza foi e continua sendo fundamental para ampliar a infraestrutura digital brasileira para além do eixo Rio–São Paulo, o crescimento acelerado da economia digital e da inteligência artificial exige a consolidação de novos polos de conectividade. Nesse contexto, Belém reúne condições únicas para complementar essa infraestrutura, fortalecendo a resiliência da rede nacional e ampliando a capacidade do Brasil de atender às demandas da nova economia digital.
Um novo polo para a infraestrutura digital sustentável
Foi a partir dessa leitura que a Elea Data Centers iniciou, ainda em 2024, os estudos para expansão de sua plataforma para Belém. E, agora, a companhia anunciou o data center BEL1, primeiro data center voltado para IA na Amazônia.
Com início de operação previsto para o segundo trimestre de 2027, o empreendimento terá capacidade inicial de 7,5 MW, com potencial de expansão para até 100 MW nas próximas fases. Por meio de uma parceria com a Axia, a Elea garantirá que o projeto seja abastecido integralmente com energia renovável por meio de um contrato de fornecimento de longo prazo (PPA), reforçando o compromisso com o desenvolvimento de infraestrutura digital sustentável.
Localizado próximo à subestação de alta tensão Miramar, o data center BEL1 foi concebido para combinar confiabilidade energética, flexibilidade para expansão e elevada eficiência operacional.
O data center BEL1 adotará um sistema de refrigeração em circuito fechado, que elimina o consumo de água para resfriamento durante a operação. Como resultado, o empreendimento terá WUE igual a zero, indicador que mede a quantidade de água utilizada pelo data center em relação à sua carga de TI. Na prática, isso significa que o data center BEL1 não consumirá água para resfriar seus equipamentos, preservando um recurso estratégico não só para a região amazônica como para o país.
O projeto integra o compromisso da Elea de levar infraestrutura digital sustentável e de alta capacidade para diferentes regiões do Brasil. Ao combinar energia renovável, conectividade estratégica e tecnologias de alta eficiência, o data center BEL1 consolida Belém como um novo polo para inteligência artificial e reforça o potencial da região Norte para liderar a próxima etapa da expansão da infraestrutura digital brasileira.